Gestão e gerenciamento das Unidades de saúde pública em ano atípico: encerramento de gestão e pandemia da COVID-19 – O quê os gestores precisam saber?

Marileni MN Martins [1]
Membro do Time de Lideranças
 e Mentora Associada da UniverSaúde

Vivemos um momento diferente na Pandemia do novo Coronavírus com a estabilização dos casos de contaminação, diminuição das internações de clínica e de CTI, dando uma falsa impressão de que tudo acabou, que acordamos do pesadelo. Infelizmente estamos acordados e o pesadelo não passou.

Sem vacina, sem segurança, assim relatam os especialistas no assunto. Devemos continuar nos cuidando para cuidarmos também do outro. Manter o distanciamento, usar as máscaras, ficarmos em casa o máximo que pudermos, higienizar alimentos, lavar bem as mãos, enfim todas estes protocolos de segurança que já sabemos.

No início do ano tudo indicava que nós trabalhadores da saúde desenvolveríamos nossas atividades dentro do previsto para um ano de encerramento de gestão.

Aí veio a pandemia, iniciou na China e varreu o mundo como um tsunami. Movimentou cada canto do planeta, nosso mundo externo e nosso mundo interno. Como diz Adriana Calcanhoto em sua música…”nada ficou no lugar”…

Tivemos que nos recolher ao cantinho do pensamento e fazermos tudo aquilo para o qual não encontrávamos tempo antes, nos reinventar nas relações familiares, de trabalho, com amigos, com a vida! Houve tempo para fazer tudo que não fizemos na hora anterior. Parece que tudo ficou como que esperando nossa reação ao inusitado.

Agora tudo importa. É tempo de coletivos, tudo está intrinsecamente interligado – seres humanos, animais, ambiente. Tudo foi afetado, uns mais outros menos, uns cresceram, outros encolheram e muitos encerraram seus ciclos.

Qual a lição aprendida?

Para mim a certeza de trabalhar o coletivo, a comunicação assertiva, que o outro importa muito e interage de forma decisiva em meu bem-estar e do ambiente.

Exemplo disto é o trabalho em equipe dos profissionais de várias nacionalidades na busca pela vacina contra a COVID-19, cujos estudos estão sendo compartilhados entre pessoas e países com um só objetivo: vencer o inimigo comum.

Dentro deste coletivo o setor de saúde teve um impacto violento no seu “modus operandi”, consultas online, rastreamento de casos por tecnologias digitais, assistências aos gestores, seja em cursos de capacitação ou assessorias diretas realizadas por vídeoconferências, construções de centros de terapia intensiva em tempo recorde, abertura de leitos em todos os recantos deste país. Ainda assim, faltaram atendimentos, pessoas perderam a vida, famílias foram destroçadas com a morte de vários membros.

A economia encolheu ainda mais trazendo para a saúde pública uma multidão de ex-assistidos pelos planos privados de saúde. Estas mesmas pessoas que não precisavam e não conheciam o SUS puderam testemunhar a potencialidade deste sistema único no mundo e seus trabalhadores aguerridos. Muitos puderam conhecer os serviços prestados pelos trabalhadores do SUS neste grave momento e aprenderam o quanto é importante manter o SUS.

Os gestores de Saúde estão vivendo sob pressão absurda, pois dois fatores muito potentes se apresentaram neste ano: a pandemia e o encerramento de gestão, dentro de um cenário econômico desfavorável.

Creio que podemos ajudar estes gestores a construir um novo tempo compartilhando experiências exitosas, saberes.

Faz-se necessário pensar junto com eles que esta doença está imposta e como reorganizar seus planos de trabalho para o agora e para o que virá como consequências desta pandemia? Como reorganizar o trabalho da Equipe gestora para que as funções de assistência não sejam interrompidas, para que não haja mais sequelas e mortes entre os casos preveníveis e evitáveis?

Precisamos urgentemente fazer a diferença para a população assistida trabalhando dentro de processos técnicos, tendo decisões baseadas em evidências e respeitando as especificidades de cada região deste país. E resguardando os próprios gestores de ações judiciais que podem ocorrer após o término de sua gestão, caso as auditorias encontrem inconsistências nas Prestações de Contas.

Necessário adequar e atualizar os instrumentos de gestão:

  • Atualizar PPA, LDO, LOA/ Plano Municipal de Saúde, Programação Anual de Saúde, Orçamento em Saúde- (LOA-2020) Prazos legais,
  • Pensar a Suplementação Orçamentária: como construir a solicitação, tendo em vista os aportes financeiros enviados aos municípios para enfrentamento da Covid-19, transformando o aporte Financeiro para o enfrentamento da Covid-19, em receita, custo/efetividade,
  • Trabalhar a contratação/Regulação dos leitos/prospecção de custos,
  • Organizar o Serviço de Controle, Avaliação e Regulação,
  • Reorganizar e compatibilizar as ações /serviços de combate a pandemia com aquelas necessidades já existentes, preparando o aporte financeiro para os demais eventos que ocorrem concomitantemente
  • Pensar o processo contínuo de ações e serviços durante e pós evento Covid-19.
  • Otimizar as ações do Controle Interno do FMS
  • Preparar os Relatórios Trimestrais, Quadrimestrais- RDQA
  •  Preparar a Prestação de Contas/ RAG-Relatório Anual de Gestão.

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[1] Marileni Marta Nascimento Martins, é Especialista em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde pela F. M./DSC- UFMG, Especialista em Ativação do Processo Mudança na Formação Superior dos Profissionais de Saúde. ENSP- FIOCRUZ, atua há mais de 30 anos na Gestão em Saúde. É Palestrante, Consultora e Coach em Gestão da Saúde. Atual Membro da Academia UniverSaúde e Líder do projeto UniverGestão.

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