O COVID e a automedicação

Dra. Erika Brunetto Ract[1]

Professora Associada da UniverSaúde

O novo Corona vírus apareceu em dezembro de 2019 na China. Desde então, são 7 meses desde a progressão da doença e estudos incansáveis sobre possíveis medicamentos e também como ela afeta o organismo humano. Mas pesquisa leva tempo. Muito tempo.

Para sabermos se um medicamento realmente é eficaz contra um vírus, ou bactéria, ou uma doença, é necessário, primeiramente, começar a usar esse medicamento em um grupo de células que sabemos que é afetada por essa doença. Chama-se estudo in vitro. Portanto, no caso do SARS-COV-2, utilizam células, o vírus inativo, e o medicamento que se deseja estudar.

Infectam as células com o vírus, tratam-nas com o medicamento em diversas concentrações e verificam se houve redução da carga viral dessas células.

O que está acontecendo, é que nesses estudos, há um resultado positivo sendo publicado, isto é, em alguma dose, algum medicamento foi eficaz em reduzir a carga viral das células em cultura. Não no organismo.

Pronto!

Saímos correndo atrás do remédio milagroso que curou a COVID-19.

E todo o Brasil se auto medicando….

Gente…. vamos entender…

Uma coisa é a ivermectina, a hidroxicloroquina em doses altas serem eficazes em controlar a carga viral do SARS-COV-2 em células num estudo in vitro, a outra é estudos comprovando que as mesmas drogas foram utilizadas em humanos infectados, e após o tratamento, comparado aos indivíduos que não foram tratados com as mesmas drogas, terem resultados positivos no combate ao vírus.

Percebem a diferença?

E só esclarecendo: não há, até o momento, nenhum estudo publicado de alguma droga que foi capaz de reduzir a carga viral em humanos. Tem algumas drogas promissoras, mas nada de concreto ainda, nada para enchermos a boca e anunciar: achamos o medicamento capaz de curar o CORONA VIRUS.

Enquanto isso, já vi entrevista em noticiário e li nas minhas mídias sociais, colegas, indo na farmácia comprar Ivermectina para si mesmos e também para a filha, mãe, pai, avô…., todos tomando para prevenir o Corona vírus, e falando que por estar tomando, ainda não adquiriram a doença.

Mais uma vez: não existe nenhum estudo científico até o momento comprovando a eficácia da Ivermectina na prevenção do Corona vírus. Nem estudos científicos comprovando sua eficácia, em humanos, no combate ao vírus.

E só para ficar claro: isso é AUTOMEDICAÇÃO, e automedicação não pode. Todo medicamento tem seu efeito colateral. Todo medicamento reage com alimento, reage com outro medicamento que por ventura você possa estar tomando. Não se toma nenhum medicamento sem prescrição medica e nem pode toma-lo para prevenir alguma doença. Ele faz mal… medicamento é droga.

Pensa, você toma antibiótico para prevenir uma infecção? Claro que não ne?! É a mesma coisa…

Devido a isso, o Conselho Regional de Farmácia baixou uma portaria, para proibir a venda, tanto da Ivermectina, quanto da hidroxicloroquina, sem receita médica.

Até agora, PREVENÇÃO, segundo a OMS, só o que sabemos: usar a máscara, álcool gel (lavagem das mãos) e distanciamento social.

Se cuide!
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[1] Dra. Erika Brunetto Ract – farmacêutica – Mestre e Doutora pela USP em Ciências Biológicas.

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