O quê os municípios devem fazer para não perderem dinheiro com o Programa Previne Brasil – desafio 2

Erico Vasconcelos [A]
Diretor-Fundador da UniverSaúde

Este segundo desafio que abordamos aqui é um daqueles considerados históricos, tidos como um problema de caráter estrutural. Sua lida e enfrentamento dialogam fortemente com a necessária sustentabilidade gestora do Sistema Único de Saúde (SUS). O sucesso dos gestores municipais do SUS no Programa Previne Brasil está diretamente relacionado à consecução de uma agenda gestora para a sua pilotagem!

Falar de “agenda gestora” no SUS significa pautar a condução das ações pelo que é importante, dedicando tempo e energia àquilo considerado fundamental para o sucesso dos projetos de gestão. Diz respeito ao fato do gestor ter clareza de onde quer chegar, do que se faz necessário para alcançar seus objetivos e de qual agenda será necessária executar.

Quando essa “agenda gestora” não acontece no dia-a-dia do SUS os resultados acabam sendo somente aquilo que poderia ter sido. O “fazejamento” das práticas gestoras às avessas caracterizam um cotidiano sofrido e extremamente desgastante para as pessoas. Sem liderança e condução frágil, cada um acaba dando o melhor que pode tornando o ambiente de trabalho muitas vezes tenso e apreensivo. A comunicação ineficiente gera mal entendidos e conflitos que muitas vezes são ignorados.

Há perdas e desperdícios de toda ordem, sobretudo financeiros, que acabam por não serem enxergados devido ao gerenciamento dos processos internos da gestão do SUS praticamente inexistente. Se não gerencio eu não meço. Se eu não meço é porque eu não defini os processos relacionados ao sucesso da minha organização. E se eu não defini é porque das duas uma: ou eu de fato não entendi o que é importante para ela ou eu realmente tenho dificuldade para manejar meu cotidiano maluco e por isso o senso de urgência acaba por se instituir e assim virar o modus operandi da minha organização.

Esta é uma das principais reclamações dos gestores atualmente! Pois, diante deste contexto, o Programa Previne Brasil acaba por virar mais um “peso”, mais uma sobrecarga, na agenda já tradicionalmente caótica dos gestores municipais do SUS. Quando trazemos à tona as circunstâncias relacionadas à pandemia de COVID-19 e o cenário atual de esgotamento de todos, isto assume uma conotação de importância exponencial!

Mas muitos questionariam agora: mas como dar conta desta tal “agenda gestora” em meio a estas contingências de um cotidiano esquizofrênico que acaba por consumir os gestores no seu dia-a-dia?

Há que se considerar que o Programa Previne Brasil trará perdas financeiras concretas e relevantes aos municípios e no curto prazo. No plano dos fatos e dados, é preciso pensar em um planejamento e consequentemente em um plano de ação! E tudo isto é parte integrante de uma “agenda gestora” que precisa ser colocada em prática já!

Considerando o seu contexto atual, gestor municipal do SUS, em meio aos resultados do 3o. quadrimestre/2021 recentemente divulgados pelo Ministério da Saúde, apresentamos seis questões elementares para fundamentar a “agenda gestora” voltada para o sucesso da Atenção Básica do SUS da sua cidade no Programa Previne Brasil, como segue:

1-qual cenário atual da Atenção Básica da sua cidade em meio aos indicativos do Programa Previne Brasil?
2-quais são as suas principais dificuldades em relação ao Programa?
3-que ações estão em curso para o enfrentamento destas dificuldades?
4-quais as repercussões práticas deste trabalho que já acontece?
5-o que já é possível observar de resultados concretos?
6-a partir destes resultados observados, o que julga que precisa ser corrigido e/ou melhorado no curto prazo?

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Até nosso próximo artigo quando apresentaremos o desafio 3 quanto ao “o quê os municípios devem fazer para não perderem dinheiro com o Programa Previne Brasil?”

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[A] Erico Vasconcelos é cirurgião-dentista, estomatologista, especialista em Terapia Comunitária, em liderança e desenvolvimento gerencial de organizações de saúde e com MBA em gestão de pessoas. Há 17 anos atua na gestão da Atenção Básica, do SUS, na Segurança e Qualidade e na Gestão Estratégica de Pessoas de organizações de saúde. Foi gestor de diversas organizações privadas e municípios. Atuou no Ministério da Saúde entre 2013 e 2016 no Departamento de Atenção Básica elaborando políticas e desenvolvendo ações de apoio e educação. Desde 2005 atua na formação em serviço de gestores e profissionais de saúde pelo Brasil afora. Trabalhou como Tutor e Coordenador de Cursos na EaD da ENSP, UnASUS-UNIFESP e na UFF. Foi Professor de Saúde Coletiva da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e em outros cursos de várias Universidades. Fundou a UniverSaúde em 2016, uma startup que ajuda gestores a tornarem os projetos do SUS mais sustentáveis com soluções que integram gestão, educação e tecnologias. Já trabalhou em mais de 50 municípios e organizações. Atualmente deesenvolve projetos com o Hospital Albert Einstein e o Hospital do Coração (HCor) e diversos municípios pelo Brasil afora.

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