Olhares a considerar para as demandas de internações hospitalares devido as complicações pelo COVID-19 no Brasil

Erico Vasconcelos [1]
Diretor-Fundador da UniverSaúde

Sim, as mensagens de otimismo não param. E cá entre nós elas não podem mesmo parar. “Vamos sair desta melhor”, dentre outras frases otimistas circulam, imperam pelas mídias sociais. Isto nos dá um “gás” certamente, mas é preciso ir além. Nós, gestores e profissionais de saúde, precisamos seguir firmes e fortes nos estudos e no planejamento sobre as ações de retaguarda assistencial para cuidar das pessoas com potencial para complicar pela infecção do COVID-19.

Apesar da necessária cautela para a interpretação dos primeiros resultados que a ciência evidencia, diversos registros brasileiros e de outros países [1 a 15] apontam aspectos semelhantes quanto as complicações pelo COVID-19. Até o momento as evidências trazem que as internações hospitalares de pessoas infectadas pelo Coronavírus variam entre 5 a 7% e predominam em pessoas com idades acima de 55, 60 anos com outros problemas de saúde presentes relacionados a pressão alta e diabetes, por exemplo.

A equipe da UniverSaúde realizou neste meio tempo alguns estudos que chamam a atenção e que podem contribuir para a leitura dos cenários possíveis e para a tomada de decisões neste momento em que o COVID-19 avança no Brasil.

Quando analisamos os sete indicadores de desempenho que serão considerados a partir de setembro/2020 no lugar do antigo “PMAQ-AB” para os repasses às equipes de Saúde da Família e da Atenção Básica, vimos que os resultados dos percentuais dos dois indicadores relativos a hipertensão [“Percentual de pessoas hipertensas com pressão arterial aferida a cada semestre”] e diabetes [“Percentual de diabéticos com solicitação de hemoglobina glicada”] dos estados brasileiros nos últimos seis quadrimestres dos anos de 2018 e 2019 estão entre 4 e 5% em média – bastante abaixo do parâmetro de 50% para o ano de 2020 estabelecido pelo Ministério da Saúde segundo a Portaria 3.222 de 10/12/2020.

Ao analisarmos os últimos dados da população brasileira estimada para 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os quantitativos dos grupos populacionais daqueles mais vulneráveis às complicações médicas pelo COVID-19 e com potencial para demandar internações hospitalares, segundo as últimas evidências, e a quantidade de leitos hospitalares elegíveis para assisti-los, observamos um cenário importantíssimo e que descrevemos a seguir:

1-dados do IBGE mostram em números arredondados que temos 210 milhões de brasileiros sendo 45,6 milhões com condições crônicas tais como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), insuficiência cardíaca, pressão alta e diabetes,

2-dados do DATASUS de fevereiro/2020 nos trazem 426.388 leitos hospitalares totais no Brasil, SUS e não SUS. Considerando os potenciais leitos elegíveis para acolher pacientes com complicações por COVID-19, que excetuam os leitos cirúrgicos, obstétricos e pediátricos, tem-se 143.529 leitos – 34% do total portanto,

3-assim, se considerarmos a população brasileira com condições crônicas e com mais potencial para demandar internações hospitalares devido ao COVID-19, na medida em que seu acompanhamento pelas equipes multiprofissionais de saúde no âmbito da Atenção Básica evidencia resultados abaixo do desejável nos últimos dois anos, e o quantitativo de leitos hospitalares disponíveis para utilização, temos a relação de um leito para cada 320 pessoas atualmente no Brasil em potencial.

Considerando o cenário atual pergunto-lhes: estariam sendo consideradas as evidências acima compartilhadas para a criação de novas estruturas para assistir às pessoas com potencial para complicações médicas decorrentes do COVID-19? que dimensionamento possível estaria sendo considerado para as novas estruturas em função dos diálogos entre os Serviços diante da capacidade instalada atualmente existente? que fluxos para o atendimento dos pacientes estão sendo implantados diante das características dos Serviços presentes nos municípios e regiões?

A UniverSaúde coloca-se a disposição para apoiar todos os gestores municipais do SUS brasileiro neste instante importante da nossa história!

Acesse nossa ferramenta para identificar a relação leito X pessoa, bem como para conhecer o quantitativo estimado de pessoas com doenças crônicas em seu município, no seguinte endereço [É seguro, pode confiar!]: https://bit.ly/cenariomunicipioscovid-19

Em caso de dúvidas, não deixe de entrar em contato conosco, estamos a sua disposição para apoiá-lo! Ligue ou mande mensagem no WhatsApp para o número 11 994362526 ou mande e-mail para contato@universaude.com.br.

REFERÊNCIAS UTILIZADAS NESTE ARTIGO:

1-https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-03/numero-de-casos-de-covid-19-confirmados-no-brasil-sobe-para-1128,
2-https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/03/20/ritmo-de-contagio-do-coronavirus-no-brasil-esta-igual-ao-registrado-na-italia-e-acelerando-aponta-unesp.ghtml,
3-https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/03/vigesimo-dia-de-coronavirus-no-brasil-e-pior-que-o-da-italia.shtml,
4-https://www.agazeta.com.br/es/gv/coronavirus-mais-vulneraveis-idosos-representam-16-da-populacao-do-es-0320,
5-https://brasil.elpais.com/brasil/2020/03/18/ciencia/1584535031_223995.html,
6-https://brasil.elpais.com/brasil/2020/03/12/ciencia/1584026924_318538.html,
7-https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/03/17/somente-1-em-cada-10-casos-do-novo-coronavirus-estao-hospitalizados.htm
,
8-https://brasil.elpais.com/brasil/2020-03-17/crise-do-coronavirus-poe-a-prova-gargalo-de-utis-no-sus.html
,
9-https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/03/13/15-dos-infectados-por-coronavirus-no-brasil-estao-no-grupo-de-risco.htm
,
10-https://triblive.com/news/pennsylvania/significant-hospitalization-rates-coronavirus-taking-a-toll-in-pa/
,
11-https://www.cdc.gov/mmwr/volumes/69/wr/mm6912e2.htm
,
12-https://brasil.elpais.com/ciencia/2020-03-10/estudo-sobre-coronavirus-aponta-idade-e-problemas-de-coagulacao-como-principais-fatores-de-risco-para-morte.html
,
13-https://nypost.com/2020/03/19/people-under-44-make-up-20-of-hospitalized-coronavirus-patients-cdc/
,
14-https://www.nytimes.com/2020/03/18/health/coronavirus-young-people.html
,
15-RACHE et al. Necessidades de Infraestrutura do SUS em Preparo ao COVID-19: Leitos de UTI, Respiradores e Ocupação Hospitalar. Nota Técnica n.3. p.1-5. Março/2020
,
16-https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/22374-ibge-divulga-as-estimativas-de-populacao-dos-municipios-para-2018,
17-BRASIL. Ministério da Saúde. Indicadores de desempenho, e-SUS AB/SISAB. https://sisab.saude.gov.br/paginas/acessoRestrito/relatorio/federal/indicadores/indicadorPainel.xhtml.

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[1] Erico Vasconcelos é cirurgião-dentista, estomatologista, especialista em Terapia Comunitária, em liderança e desenvolvimento gerencial de organizações de saúde e com MBA em gestão de pessoas. É apaixonado pelos desafios da gestão dos serviços de saúde. Há 15 anos atua na gestão da Atenção Básica, do SUS, na Segurança e Qualidade e na Gestão Estratégica de Pessoas. Foi gestor de saúde de diversas organizações privadas e municípios. Recentemente atuou no governo federal elaborando políticas e desenvolvendo ações de apoio e educação. Desde 2005 atua na formação em serviço de gestores e profissionais de saúde pelo Brasil afora. Trabalhou como Tutor e Coordenador de Cursos na EaD da ENSP, UnASUS-UNIFESP e na UFF. Foi Professor de Saúde Coletiva da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e em outros cursos de várias Universidades. Fundou a UniverSaúde em 2017, uma startup de educação para a Saúde. Já trabalhou em mais 30 organizações e hoje atua em diversos projetos potentes com organizações públicas e privadas.

 

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