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A Páscoa e o Sistema Único de Saúde (SUS)

Maria Aparecida Pinheiro Piedade [1] Membro do Time de Lideranças e Mentora Associada da UniverSaúde

Neste momento cada um em sua casa comemora o Renascimento e pensa com sua família nos recomeços, na reconstrução. Faz-se necessário e oportuno ampliar a reflexão..

A Páscoa convida a renascer, a passar para um novo tempo e cada um de nós neste recolhimento estamos nos revisitando. A esperança é que quando a crise do COVID-19 passar sigamos por aqui, que vivamos um mundo melhor e que tornemos nossa sociedade melhor.

Para renascer a sociedade precisa de coragem, mas, sobretudo precisa de saúde. Num momento em que muitos bradam contra o isolamento e corremos o risco de perder o controle, de presenciarmos o caos, temos outro tanto que nos alertam que a explosão de casos vai estrangular o Sistema Único de saúde, o SUS. Novamente parece que a sociedade que esperamos, renasça melhor, reforça a luta contra a desigualdade. Os pacientes estavam internados nos hospitais privados e agora chegaram as unidades e leitos do SUS. E o risco é que ele pode novamente ser apontado como o vilão devido às fragilidades que neste momento em especial podem surgir por meio dos guerreiros da saúde – médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem, pessoal do laboratório, trabalhadores que estão se expondo para cuidar e que por muitos até ora são aplaudidos.

O SUS neste país é o sinônimo da luta, mesmo maltratado pelo subfinanciamento, por falta de equipamentos. Está presente cuidando das pessoas em todo país. Ao refletir sobre a Páscoa hoje e no seu significado e pensando no filósofo Cristo, que não faz distinção entre os homens, que se sacrificou e segundo o pensamento cristão, e morreu por todos nós, pensei no SUS..

Pensei no seu conceito de universalidade – é para todos sem exceção, pensei na equidade que reconhece que existem diferenças e desigualdades que precisam ser reconhecidas para que todos sejam tratados com igualdade. Pensei ainda que ele se propõe a cuidar integralmente de todos, ou seja, atender a todas as necessidades das pessoas, seja ela um parto, uma vacina, uma cirurgia, internação ou uma orientação.

Lembrei dos meus professores do curso de saúde pública Eurivaldo Sampaio e Claudio Gastão Junqueira que, ao discutir o conceito de saúde – doença, traziam a saúde como um componente da qualidade de vida, como um bem, um direito social – para exercício da cidadania e que o processo saúde doença pode ser modificado historicamente, pois são um conjunto de relações variáveis que se inter-relacionam produzindo e condicionando o estado de saúde de uma população.

Lembrei ainda de uma outra autora, Sara Escorel, que nos fala que a saúde não produz desigualdade, mas reproduz e perpetua as desigualdades presentes na sociedade – confirmando o conceito de que a saúde é produzida socialmente.

A questão da saúde é inerente a questão de uma vida cotidiana digna – uma sociedade sem saúde é uma sociedade fracassada do ponto de vista do desenvolvimento, para isto a ética exige que o modelo de saúde deve ser de acesso universal, de equidade e com extensão a toda sociedade.

Assim pensei que a nossa reconstrução passa por unidos resSUScitarmos o SUS como em uma Páscoa Social, precisamos dele para o cuidado e todos são iguais e precisam de cuidado,

Feliz Páscoa a todos!

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[1] Maria Aparecida Pinheiro Piedade – Assistente Social (PUC-SP) e Especialista em Saúde Pública (USP-SP). Formada em gestão de projetos de investimentos em saúde (UAB-ENSP-FIOCRUZ) e em aperfeiçoamento de educação em saude – Facilitadora do processo ensino-aprendizagem à distância (ENSP-FIOCRUZ-Sírio Libanês)

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