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O Coronavírus e a “Era do Amor”

Erico Vasconcelos [1] Diretor-Fundador da UniverSaúde

Carolina Fanaro da Costa Damato [2] Líder e Mentora Associada da UniverSaúde

A identificação de modelos costuma indicar qual caminho escolher para seguirmos. A tomada de decisão em qualquer área da vida é precedida por um modelo. Modelo de educação, de família, de comportamento, de negócio, de gestão. Mas e quando os modelos que conhecemos não são capazes de subsidiar mais uma tomada de decisão? E quando eles aumentam as dúvidas, as angústias, as incertezas, os medos e até as dívidas?

A resposta é: quando isso acontece é porque estamos em CRISE. Nessa situação seremos convidados a pensar, a falar e fundamentalmente a testar e validar coisas, ou seja, considerar repensar os atuais modos de viver e criar novos modelos. E isso significa recriar modelos que sejam capazes de responder às dores geradas pela crise. E então, surge o agir a partir da OPORTUNIDADE.

Antes dizíamos que fazíamos parte da “solução”. Agora temos convicção que fazemos parte mesmo é de uma “Revolução”. Mas que “Revolução” seria essa? Era uma vez um mundo com um povo em busca de “estabilidade”, disperso, desunido, desorganizado nas relações, autossuficiente e operando na lógica do “meu umbigo primeiro” e do “pra ontem”.

A dita “era do conhecimento” em suas estações de trabalho tirava o povo do prumo, acelerava e isolava cada vez mais uns aos outros. A tecnologia que veio para conectar e aproximar passou a atrapalhar. Neste pacote veio a perda do dito “horário de trabalho”. E depois a perda da privacidade. E depois as noites sem dormir. E depois a ansiedade. E depois o estresse. E depois o esgotamento mental. E depois..

Está claro que a “Revolução” não poderia vir de outra forma. De forma abrangente e trágica o Coronavírus vem como um verdadeiro chacoalhão para todas as Nações. Foi preciso defender o “isolamento social” e o confinamento residencial, uma vez que o contato entre as pessoas poderia ser ofensivo, nocivo e trágico. Pode ser que o Coronavírus de fato tenha surgido mesmo para que todos acordassem para aquilo que realmente importa em suas vidas e que aprendessem assim a se rever os modelos e a reviver. Estamos diante da oportunidade da “revida”. A “Revolução” passa pela “revida”.

A revida tem a ver com coisas que há muito não praticávamos entre nós. Do Fla-Flu político-partidário que há décadas parece só piorar com conflitos que caracterizam um certo “caos social”. Da esquizofrenia do resgate na lembrança coletiva das boas práticas de higiene, educação e etiqueta respiratória. Da ressurreição do “considerar o outro na tomada de decisões” como imaginar a manutenção da saúde e da vida das pessoas mais velhas diante do imperativo do “ir pra rua” e do se sujeitar à transmissão e o contágio, colocando-as em risco. Do se preocupar honestamente com a saúde e a vida dos outros, como é o caso das reflexões sobre as populações mais vulneráveis, em situação de rua e as que vivem em Comunidades. Do despertar para conexões mais socialmente “conscientes”, de gente ofertando suas empresas e seus serviços gratuitamente à população e ao Ministério da Saúde, por exemplo. Das ações pautadas pela perspectiva ética e moral pensando no cuidado com profissionais de saúde como das pessoas e empresas engajadas na produção de máscaras, respiradores, dentre tantas outras ações humanas e extraordinárias a fim de um bem maior.

É bem verdade que forças sombrias e contrárias à razoabilidade e à ciência permanecem altivas e em oposição. A ganância e egoísmo humanos permanecem reinando. O debate sobre a economia inaugura uma tensão basal e extremamente importante. Temos perdido tragicamente vidas preciosas durante esta epidemia. Ninguém disse aqui que seria sem dor e sem sofrimento. E há muito pela frente. Expectativas pelos próximos meses (aliás, não custa lembrar: #fiqueemcasa)

Fato é que o esgarçamento histórico do tecido e do modelo social foi enfim convocado a ser revisto e ninguém mais nega. Gerações e gerações assumindo responsabilidades para a recriação de algo distinto. Lideranças novas surgindo e fazendo valer, via “Lives”, a exposição de suas intenções, desejos e vontades. Ações que aproximam, que promovem um repensar coletivo e que tensionam saudavelmente para o transformar.

Enfim a morte de um velho modelo. Eis que nasce um novo paradigma e um novo olhar. Daquilo que parece distante, mas que está mais próximo do que podemos imaginar. Fazemos parte da solução. Fomos convidados a fazer parte de uma “Revolução”. A “Revolução” passa pela revida. E a revida passa pela “Era do Amor” em seu sentido mais amplo e sem qualquer romantismo. O Coronavírus fez surgir a “Era do Amor” e da conexão mais consciente e significativa. Do isolamento e egoísmo para o senso de coletividade e a compaixão. Da ansiedade e do estresse para a expansão da consciência e a saúde em seu conceito mais ampliado. Do “meu umbigo primeiro” para o cuidar de você para poder cuidar dos demais. E isso faz com que nos conectemos por meio do senso de REDE. Redes colaborativas e potentes! Redes cuja distância física não é capaz de impedir!

E isso é apenas o começo. Da “Era do Conhecimento” para a “Era do Amor”. Sejam bem-vindos a “Era do Amor”.

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[1] Erico Vasconcelos é cirurgião-dentista, estomatologista, especialista em Terapia Comunitária, em liderança e desenvolvimento gerencial de organizações de saúde e com MBA em gestão de pessoas. É apaixonado pelos desafios da gestão dos serviços de saúde. Há 15 anos atua na gestão da Atenção Básica, do SUS, na Segurança e Qualidade e na Gestão Estratégica de Pessoas. Foi gestor de saúde de diversas organizações privadas e municípios. Recentemente atuou no governo federal elaborando políticas e desenvolvendo ações de apoio e educação. Desde 2005 atua na formação em serviço de gestores e profissionais de saúde pelo Brasil afora. Trabalhou como Tutor e Coordenador de Cursos na EaD da ENSP, UnASUS-UNIFESP e na UFF. Foi Professor de Saúde Coletiva da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e em outros cursos de várias Universidades. Fundou a UniverSaúde em 2017, uma startup para a Saúde que ajuda gestores do SUS a fazerem mais e da melhor maneira possível com menos dinheiro, associando informação e inteligência por meio de tecnologias digitais. Já trabalhou em mais 30 organizações e hoje atua em diversos projetos potentes com organizações públicas e privadas.

[2] Carolina Fanaro C. Damato é Fonoaudióloga, Mestre em Saúde Materno Infantil e MBA em Gestão em Saúde pela FIERP/USP. Consultora em comunicação humana, Membro do Time de Lideranças da UniverSaúde, Membro do Departamento de Saúde Coletiva da SBFA gestão de 2020-2022 ocupando cargo de Coordenadora do Comitê de Atenção à Saúde. Experiência de 10 anos na gestão de serviços de Saúde, com atuação em Organizações Sociais de Saúde na Gerência de Unidades Básicas e Especializadas de Saúde em municípios de grande porte.

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