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A IA que ajuda o SUS a descobrir onde perde dinheiro

Erico Vasconcelos [A]



Startup brasileira desenvolve inteligência artificial voltada à gestão da saúde pública, capaz de analisar grandes volumes de dados para identificar riscos, desperdícios e oportunidades de eficiência na gestão da saúde pública


E se uma Secretaria Municipal de Saúde pudesse contar com uma inteligência artificial trabalhando continuamente para analisar continuamente os dados dos diversos sistemas de informação existentes, avisando-o onde há sinais de desperdícios, riscos ou oportunidades de melhoria antes que o problema se torne evidente?


Não estamos falando de uma IA para substituir médicos, diagnosticar doenças ou atender pacientes. Estamos falando de algo diferente — e talvez tão importante quanto: uma inteligência artificial dedicada a ajudar quem administra a saúde a entender melhor o que está acontecendo dentro do sistema e onde é possível melhorar.


Essa é a fronteira que uma startup brasileira de inteligência em saúde está começando a explorar. A UniverSaúde está desenvolvendo uma abordagem baseada na utilização de inteligência artificial para analisar dados da gestão da saúde, identificar padrões, desvios, riscos e oportunidades e transformar essas descobertas em informação capaz de apoiar decisões dos gestores.


A proposta surge em um momento particularmente importante para o Brasil.


O SUS tem dados. Muitos dados.

O Sistema Único de Saúde é uma das maiores estruturas públicas de saúde do mundo e produz diariamente uma quantidade extraordinária de informações. São dados de atendimentos, consultas, exames, internações, procedimentos, medicamentos, profissionais, estabelecimentos, financiamento, produção, indicadores epidemiológicos e dezenas de outras dimensões da assistência e da gestão.


O Brasil já possui uma ampla infraestrutura de informação em saúde e vem avançando na integração e digitalização desses dados. O próprio Programa SUS Digital prevê ambientes destinados a oferecer aos gestores informações estratégicas para tomada de decisão, incluindo painéis de monitoramento e relatórios de desempenho relacionados à gestão dos recursos.


Mas existe um paradoxo: quanto mais dados o sistema produz, mais difícil pode se tornar para um gestor humano enxergar tudo o que esses dados estão dizendo.


O problema do SUS, portanto, não é necessariamente a ausência de informação. É a capacidade de transformar a informação em inteligência. E depois transformar inteligência em decisão.


O custo de não enxergar

A questão não é apenas tecnológica. É financeira, assistencial e social.


O Tribunal de Contas da União registra que estudo do Banco Mundial estimou, em 2017, desperdícios de aproximadamente R$ 22 bilhões por ano na saúde brasileira, somando atenção primária e média e alta complexidades. O valor correspondia a cerca de 20% de todo o gasto nacional com saúde naquele ano.


O próprio TCU continua classificando as ineficiências do SUS como um risco relevante, apontando que deficiências de planejamento e gestão podem produzir prejuízos à qualidade dos serviços e desperdício de recursos públicos.


Isso significa que discutir eficiência na saúde pública não é discutir apenas economia. Cada recurso desperdiçado representa uma oportunidade que deixa de ser transformada em saúde para alguém.


Uma consulta que poderia ter sido realizada. Um exame que poderia ter sido disponibilizado. Um medicamento que poderia ter chegado ao paciente. Uma fila que poderia ter sido reduzida. Uma unidade que poderia ter utilizado melhor sua capacidade. É nesse ponto que a inteligência artificial pode mudar a conversa.


Da inteligência artificial que responde perguntas para a inteligência artificial que encontra problemas

A popularização da IA generativa fez milhões de pessoas conhecerem tecnologias capazes de produzir textos, imagens, análises e respostas em segundos. Mas existe uma diferença importante entre utilizar IA para responder a uma pergunta e utilizar IA para encontrar perguntas que o gestor deveria estar fazendo.


É justamente nessa segunda fronteira que está uma das maiores oportunidades para a saúde pública. Imagine uma tecnologia capaz de analisar continuamente milhares de indicadores e procurar automaticamente:


·       comportamentos fora do padrão;

·       variações inesperadas;

·       indicadores que estão piorando;

·       recursos que não estão produzindo o resultado esperado;

·       capacidade instalada subutilizada;

·       padrões de produção que merecem investigação;

·       riscos financeiros ou assistenciais;

·       oportunidades de melhoria;

·       relações entre diferentes indicadores que dificilmente seriam percebidas em uma análise convencional.


Em vez de o gestor perguntar: “O que aconteceu?” A tecnologia poderia ajudá-lo a descobrir: “O que está acontecendo que merece a minha atenção?” Essa é uma mudança de paradigma.


Uma IA para o gestor — e não para substituir o gestor

A proposta da UniverSaúde não é entregar a decisão à máquina. É fazer justamente o contrário: dar ao gestor melhores condições para decidir.


A inteligência artificial pode encontrar padrões. O gestor conhece o território. A tecnologia pode apontar um risco. O gestor investiga a causa. A IA pode identificar uma anomalia. O gestor decide o que fazer. A máquina amplia a capacidade de análise.


"A decisão continua humana!" (Erico Vasconcelos, CEO da UniverSaúde)


Essa distinção é fundamental em saúde pública, especialmente porque estudos recentes sobre IA no SUS destacam que sua adoção precisa considerar governança, ética, segurança dos dados e as desigualdades existentes no sistema.


O Brasil já entrou nessa corrida

A discussão deixou de ser futurista. Em 2025, 18% dos estabelecimentos de saúde brasileiros já declaravam utilizar tecnologias de inteligência artificial, segundo a TIC Saúde 2025, do Cetic.br. Entre estabelecimentos com mais de 50 leitos, o percentual chegava a 31%.


O dado também revela uma oportunidade. A utilização de IA ainda está fortemente concentrada em aplicações operacionais. Isso significa que existe um enorme espaço para avançar da IA que automatiza tarefas para a IA que aumenta a capacidade de gestão.


O próprio Ministério da Saúde vem estimulando essa transformação. Em 2026, abriu chamamento público para identificar parceiros e soluções inovadoras em saúde digital, incluindo inteligência artificial, e também vem qualificando gestores do SUS para análise, planejamento e implementação de soluções baseadas em IA.


A mensagem é clara: a inteligência artificial está deixando de ser uma promessa tecnológica para se transformar em instrumento de política pública!


O que a IA poderia encontrar em uma Secretaria de Saúde?

Imagine um gestor recebendo, em vez de dezenas de planilhas, uma série de alertas inteligentes.


🔴 ALERTA DE RISCO

“O comportamento deste indicador está significativamente diferente do padrão histórico e requer investigação.”


🟠 ALERTA DE EFICIÊNCIA

“Existe capacidade instalada que apresenta sinais de subutilização.”


🟡 ALERTA FINANCEIRO

“O crescimento desta despesa não acompanha a evolução da produção ou do resultado assistencial.”


🟢 OPORTUNIDADE

“Municípios com características semelhantes apresentam desempenho superior neste indicador. Há potencial de melhoria.”


E, talvez o mais importante:


💡 RECOMENDAÇÃO

“Estes são os cinco pontos que deveriam receber a atenção da gestão neste momento.”


Isso é diferente de simplesmente apresentar um dashboard. Um dashboard mostra dados. Uma inteligência artificial pode ajudar a interpretar o que merece atenção nesses dados.


O próximo salto da saúde digital

A transformação digital da saúde brasileira começou com a digitalização da informação. Depois vieram os sistemas integrados, os painéis, os indicadores e os dashboards. Agora surge uma nova etapa: a inteligência artificial capaz de analisar essa informação continuamente e encontrar sinais que podem escapar à análise humana convencional.


A evolução pode ser resumida em cinco passos:

Dados → Informação → Inteligência → Decisão → Resultado.


É exatamente nessa cadeia que a UniverSaúde pretende atuar. A empresa vem estruturando sua atuação sobre três pilares: tecnologia analítica para tratar e organizar dados; inteligência em saúde para transformar informações em conhecimento estratégico; e método gerencial para transformar decisões em resultados monitorados continuamente.


A inteligência artificial passa a ser uma nova camada dessa arquitetura. Não como um fim. Mas como uma forma de aumentar exponencialmente a capacidade de enxergar.


Talvez a pergunta mais importante não seja “o que a IA pode fazer?”

Durante os últimos anos, a pergunta dominante foi: “O que a inteligência artificial é capaz de fazer?” Para a saúde pública, talvez seja hora de fazer outra pergunta: “O que estamos deixando de enxergar porque não conseguimos analisar tudo o que já sabemos?”


O SUS não precisa necessariamente de mais uma montanha de dados. Precisa transformar os dados que já possui em sinais, prioridades e decisões melhores. Porque o verdadeiro valor da inteligência artificial não está em produzir mais informação. Está em revelar, no meio de milhões de informações, aquilo que realmente importa.


E, quando falamos de saúde pública, aquilo que importa pode significar milhões de reais, milhares de atendimentos e, principalmente, vidas.


A IA não vai substituir o gestor do SUS

Mas pode ajudá-lo a enxergar o que hoje ele não consegue ver! E talvez essa seja uma das aplicações mais importantes da inteligência artificial para o futuro da saúde brasileira.


O futuro da gestão da saúde não será decidido apenas por quem tiver mais recursos, mais profissionais ou mais tecnologia. Será decidido, cada vez mais, para quem conseguir enxergar melhor onde estão os problemas, onde estão as oportunidades e onde cada recurso pode produzir mais saúde.


"A inteligência artificial não será o gestor. Será os olhos adicionais do gestor!" (Erico Vasconcelos, CEO da UniverSaúde)


E talvez seja exatamente assim que o SUS esteja precisando: não de uma máquina para decidir por ele, mas de uma inteligência capaz de ajudá-lo a enxergar onde precisa agir.


Conheça a UniverSaúde, uma empresa de inteligência em saúde que utiliza tecnologia analítica, inteligência artificial e método gerencial para ajudar gestores a descobrir onde estão os problemas, decidindo o que fazer e transformar decisões em resultados.


_______________


[A] Erico Vasconcelos é cirurgião-dentista, estomatologista, especialista em Terapia Comunitária, em liderança e desenvolvimento gerencial de organizações de saúde e com MBA em gestão de pessoas. Há 27 anos atua na gestão da Atenção Básica, do SUS, na Segurança e Qualidade e na Gestão Estratégica de Pessoas de organizações de saúde. Foi gestor de diversas organizações privadas e municípios. Atuou no Ministério da Saúde entre 2013 e 2016 no Departamento de Atenção Básica elaborando políticas e desenvolvendo ações de apoio e educação. Desde 2005 atua na formação em serviço de gestores e profissionais de saúde pelo Brasil afora. Trabalhou como Tutor e Coordenador de Cursos na EaD da ENSP, UnASUS-UNIFESP e na UFF. Foi Professor de Saúde Coletiva da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e em outros cursos de várias Universidades. Fundou a UniverSaúde em 2016, uma empresa que ajuda gestores a reduzirem custos e a captarem novos recursos com resultados rápidos, fortalecendo a governança e promovendo a sustentabilidade financeira e organizacional da SaúdeAtualmente trabalha como Tutor do HCor em iniciativas do PROADI-SUS/Ministério da Saúde.

 
 
 

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