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Saúde Brasil 360 em Números: os principais resultados da Atenção Primária à Saúde do Brasil hoje

Plataforma UniverSaúde | Saúde Brasil 360

Análise estratégica consolidada a partir dos dados de domínio público

Ano-base 2025 (Portaria GM/MS nº 3.493/2024)


Erico Vasconcelos [A]

Rita Santana [B]



O Programa Saúde Brasil 360, instituído pela Portaria GM/MS nº 3.493/2024, representa um dos mais ambiciosos esforços de avaliação e financiamento por desempenho da Atenção Primária à Saúde (APS) já realizados no Brasil. Ao vincular o repasse financeiro federal ao cumprimento de metas em indicadores de qualidade assistencial, vínculo territorial e acompanhamento de populações prioritárias, o Programa coloca nas mãos dos gestores municipais uma responsabilidade inédita: a de transformar dados em decisões que impactam diretamente a saúde — e o orçamento — de seus municípios. A Plataforma UniverSaúde | Saúde Brasil 360 foi desenvolvida com o propósito de tornar esses dados acessíveis, compreensíveis e acionáveis.


Este artigo apresenta uma análise estratégica dos 22 indicadores da Sala de Situação construída a partir dos dados reais de 27 estados brasileiros e 4.752 municípios carregados na Plataforma a partir dos dados de domínio público disponibilizados pelo Ministério da Saúde em maio/2026, consolidando o panorama nacional do Programa no ano de 2025 - por meio de seus três quadrimestres de resultados divulgados.


1. O Cenário Nacional: Uma Fotografia de Oportunidades e Riscos

O primeiro dado que salta aos olhos na análise consolidada é de natureza financeira: a perda anual projetada para os 26 estados analisados soma R$ 2,548 bilhões. Esse número representa o valor que os municípios brasileiros deixarão de receber do Fundo Nacional de Saúde caso mantenham, ao longo de 2026, o mesmo desempenho registrado nos quadrimestres avaliados em 2025. Traduzido em termos mensais, o potencial de captação adicional — ou seja, o quanto poderia ser recuperado se todos os municípios atingissem a meta máxima — chega a R$ 212,4 milhões por mês. Esses números não são abstratos. Eles representam equipes de saúde da família não contratadas, medicamentos não adquiridos, reformas de unidades básicas não realizadas. Para o gestor municipal, cada décimo de ponto no score do programa tem um valor monetário preciso e calculável. O score médio nacional de qualidade assistencial é de 5,41/10, enquanto o de vínculo e acompanhamento territorial é de 6,40/10. Ambos os resultados situam-se no conceito BOM segundo os critérios do programa — o que, à primeira vista, pode parecer satisfatório. No entanto, a análise desagregada por estado e por indicador revela uma heterogeneidade profunda que a média nacional oculta.


2. O Impacto Financeiro: Quem Mais Perde e Quem Mais Pode Ganhar

A distribuição das perdas financeiras segue, em grande medida, o porte populacional dos estados. São Paulo lidera o ranking de perdas anuais com R$ 335,9 milhões, seguido pela Bahia (R$ 276,8 milhões), Rio de Janeiro (R$ 179,6 milhões), Pernambuco (R$ 158,9 milhões) e Ceará (R$ 150,9 milhões). Juntos, esses cinco estados respondem por mais de 43% de toda a perda anual nacional - conforme apresentado na tabela abaixo.


Posição

 Estado

Perda Anual Projetada

Potencial Mensal

São Paulo

R$ 335.916.000

R$ 27.993.000

Bahia

R$ 276.768.000

R$ 23.064.000

Rio de Janeiro

R$ 179.592.000

R$ 14.966.000

Pernambuco

R$ 158.952.000

R$ 13.246.000

Ceará

R$ 150.888.000

R$ 12.574.000

No extremo oposto, Roraima (R$ 11,4 milhões), Acre (R$ 20,3 milhões), Rondônia (R$ 21,2 milhões) e Amapá (R$ 22,1 milhões) registram as menores perdas absolutas — o que, no caso dos estados da Região Norte, reflete tanto o menor número de municípios quanto as particularidades logísticas que dificultam o cumprimento de metas assistenciais em territórios de difícil acesso. A análise do potencial de captação mensal reforça a urgência da ação: São Paulo poderia captar até R$ 28 milhões a mais por mês se seus 647 municípios atingissem a meta máxima. Esse valor, anualizado, equivale a mais de R$ 335 milhões — o suficiente para financiar centenas de equipes de saúde da família por um ano inteiro.


3. Qualidade Assistencial: Destaques e Pontos Críticos

No ranking de score de qualidade, o Distrito Federal lidera com 6,12 / 10, seguido por Alagoas (5,81), Ceará (5,72), Paraná (5,67) e São Paulo (5,66). A presença de Alagoas entre os cinco melhores estados em qualidade — um estado historicamente associado a vulnerabilidades socioeconômicas — é um dos achados mais relevantes desta análise, sugerindo que o desempenho no programa não é determinado exclusivamente pelo desenvolvimento econômico regional, mas pela capacidade de organização e gestão da APS local. Na outra extremidade, Amapá (4,49) e Acre (4,81) são os únicos estados com conceito SUFICIENTE em qualidade, enquanto Pará (5,08), Roraima (5,10) e Maranhão (5,17) figuram entre os mais baixos dentro do conceito BOM. A concentração de estados da Região Norte e Nordeste nessa faixa inferior reforça a necessidade de políticas de apoio diferenciadas para essas regiões. O indicador de qualidade com melhor desempenho nacional é o de "Ações interprofissionais realizadas pela eMulti na APS" no Distrito Federal, com score de 9,83 / 10 — um resultado que demonstra o potencial transformador das equipes multiprofissionais quando bem estruturadas. Em contraste, o indicador mais crítico em todo o país é o de "Procedimentos Odontológicos preventivos na APS" em Santa Catarina, com score de apenas 2,69 / 10, evidenciando uma lacuna grave na oferta de saúde bucal preventiva mesmo em um estado com bons indicadores gerais de desenvolvimento.


4. Vínculo e Acompanhamento Territorial: Onde o Brasil vai Bem

O componente de vínculo e acompanhamento territorial apresenta resultados sistematicamente superiores ao de qualidade assistencial — a média nacional de 6,40 / 10 supera em quase um ponto a média de qualidade. Isso sugere que os municípios brasileiros têm avançado mais rapidamente na organização do cuidado territorial do que na entrega de procedimentos clínicos específicos. O Piauí lidera este ranking com score de 8,19 / 10, seguido por Ceará (7,90), Alagoas (7,87), Mato Grosso do Sul (7,84) e Sergipe (7,57). A liderança do Piauí — estado que não figura entre os melhores em qualidade assistencial — indica uma estratégia de gestão que prioriza a cobertura e o acompanhamento de populações prioritárias, possivelmente em detrimento da intensidade dos procedimentos clínicos realizados. O Ceará merece destaque especial: é o único estado que figura simultaneamente entre os top 5 em qualidade e top 5 em vínculo, além de estar entre os cinco estados com maior potencial de captação mensal. Esse perfil de desempenho equilibrado e em larga escala posiciona o Ceará como um modelo a ser estudado e replicado.


5. A Distribuição Semafórica: Lendo o Mapa do Brasil em Verde e Vermelho

A análise semafórica — que classifica municípios e indicadores em verde (desempenho acima da meta) e vermelho (abaixo da meta crítica) — oferece uma leitura imediata e acionável do cenário nacional. São Paulo concentra o maior número absoluto de municípios com indicadores de qualidade na cor verde (20 municípios), seguido por Paraná (2) e Pernambuco (1). Embora esses números pareçam modestos em termos absolutos, eles representam os municípios que já atingiram o patamar de excelência e podem servir como referência para os demais. No campo vermelho, a concentração de municípios com indicadores críticos em estados como Amapá e Acre — onde o percentual de municípios com conceito SUFICIENTE ou REGULAR é proporcionalmente maior — reforça a necessidade de intervenções prioritárias nessas regiões. A análise por número de indicadores de qualidade na cor verde por estado revela que os estados com maior diversidade de indicadores verdes tendem a ter scores globais mais elevados — uma correlação esperada, mas que confirma a validade do modelo de avaliação multidimensional adotado pelo Programa.


6. O Que Esses Dados Significam para o Gestor Municipal

Para o gestor municipal de saúde, a leitura estratégica desses 22 indicadores deve orientar três tipos de decisão imediata: A primeira é de priorização financeira. Conhecer o valor exato da perda mensal do município — e quais indicadores específicos estão puxando o score para baixo — permite direcionar esforços de qualificação para onde o retorno financeiro é mais imediato. Um município que perde R$ 50 mil por mês por baixo desempenho em um único indicador pode reverter esse quadro com intervenções pontuais e de baixo custo. A segunda é de benchmarking territorial. A plataforma permite comparar o desempenho de cada município com o de seus vizinhos no estado e com os melhores municípios do país em cada indicador específico. Essa comparação horizontal é fundamental para identificar práticas bem-sucedidas que podem ser adaptadas ao contexto local. A terceira é de planejamento de longo prazo. A série histórica por quadrimestre — disponível para todos os estados na plataforma — permite identificar tendências de melhora ou piora ao longo do ano, antecipando riscos antes que se tornem perdas financeiras consolidadas.


7. Considerações Finais: Dados como Instrumento de Equidade

O Programa Saúde Brasil 360 e a Plataforma UniverSaúde, que o suporta aogra, representam um avanço significativo na direção de uma gestão da saúde pública baseada em evidências. A possibilidade de acessar, em tempo real, os scores de qualidade e vínculo de todos os municípios de um estado — comparando-os entre si e com a média nacional — é uma ferramenta de equidade: ela torna visível o que antes era invisível, e torna responsável o que antes era difuso. Os números apresentados neste relatório não são apenas estatísticas. Eles representam consultas realizadas ou não realizadas, pacientes hipertensos acompanhados ou perdidos para o sistema, procedimentos odontológicos preventivos que poderiam ter evitado extrações desnecessárias. E representam, também, recursos financeiros que podem ser captados ou perdidos dependendo da qualidade da gestão local.


"A Atenção Primária à Saúde é a porta de entrada preferencial do SUS e o centro de comunicação da rede de atenção à saúde. Qualificá-la não é apenas uma obrigação técnica — é um imperativo ético e financeiro." (Erico Vasconcelos, CEO UniverSaúde)


A Plataforma UniverSaúde coloca esses dados nas mãos de quem pode transformá-los em ação. O próximo passo é dos gestores.


Acesse agora os dados do seu Estado e do seu município: https://univerdash-saudebrasil360.manus.space


Resumo Executivo dos Principais Achados

Indicador

Achado principal

Perda anual nacional

R$ 2,548 bilhões projetados para 2026

Potencial de captação

R$ 212,4 milhões/mês se todos atingissem a meta

Score médio qualidade

5,41/10 (conceito BOM)

Score médio vínculo

6,40/10 (conceito BOM)

Melhor estado em qualidade

Distrito Federal (6,12/10)

Melhor estado em vínculo

Piauí (8,19/10)

Estado mais equilibrado

Ceará — top 5 em qualidade, vínculo e captação

Maior perda anual

São Paulo — R$ 335,9 milhões

Melhor indicador nacional

eMulti na APS — DF (9,83/10)

Indicador mais crítico

Odontologia preventiva — SC (2,69/10)

Municípios avaliados

4.752 em 27 Estados

Estados com conceito suficiente

Amapá e Acre (únicos abaixo de BOM em qualidade)

FONTE: Relatório elaborado a partir dos dados apresentados na Plataforma UniverSaúde | Saúde Brasil 360 em 01/06/2026. Dados consolidados do ano de 2025 — 27 estados brasileiros. Portaria GM/MS nº 3.493/2024.


_______________


[A] Erico Vasconcelos é cirurgião-dentista, estomatologista, especialista em Terapia Comunitária, em liderança e desenvolvimento gerencial de organizações de saúde e com MBA em gestão de pessoas. Há 27 anos atua na gestão da Atenção Básica, do SUS, na Segurança e Qualidade e na Gestão Estratégica de Pessoas de organizações de saúde. Foi gestor de diversas organizações privadas e municípios. Atuou no Ministério da Saúde entre 2013 e 2016 no Departamento de Atenção Básica elaborando políticas e desenvolvendo ações de apoio e educação. Desde 2005 atua na formação em serviço de gestores e profissionais de saúde pelo Brasil afora. Trabalhou como Tutor e Coordenador de Cursos na EaD da ENSP, UnASUS-UNIFESP e na UFF. Foi Professor de Saúde Coletiva da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e em outros cursos de várias Universidades. Fundou a UniverSaúde em 2016, uma empresa que ajuda gestores a reduzirem custos e a captarem novos recursos com resultados rápidos, fortalecendo a governança e promovendo a sustentabilidade financeira e organizacional da SaúdeAtualmente trabalha como Tutor do HCor em iniciativas do PROADI-SUS/Ministério da Saúde.


[B] Rita Santana é Enfermeira, especialista em Atenção Primária à Saúde (APS), Saúde Mental e em gestão da informação em Saúde. Já foi gestora do SUS em municípios. Tem uma história bonita de ajuda na criação do e-SUS APS em 2014. Desde 2019 faz história na UniverSaúde produzindo ações de apoio, cuidado e proteção de Gestores e Profissionais de Saúde que atuam no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS) de todo Brasil. Atualmente gerencia os Projetos de gestão da APS, de Gestão da Informação em Saúde e, mais recentemente, o UniverTEA.

 
 
 

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Zakkdaniel
há 5 dias

This post explains how Brazil’s primary healthcare system works and how programs like “Saúde Brasil 360” focus on improving basic care for people through local clinics and teams. It shows how important early care, prevention, and community support are for public health. When I was in college and dealing with a very heavy exam schedule, I felt stressed and used Statistics class takers during that time so I could manage my workload better and stay organized with other responsibilities. It made me realize how structure and support systems can help in difficult and busy periods.

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