Índice de Excelência Gestora do SUS (IEG-SUS): Resultados da Pesquisa Nacional realizada pela UniverSaúde
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Atualizado: há 2 horas
Erico Vasconcelos [A]

O Sistema Único de Saúde (SUS) constitui uma das maiores políticas públicas de saúde do mundo, atendendo mais de 200 milhões de brasileiros distribuídos em 5.570 municípios 1. Contudo, é sabido que a gestão municipal da saúde enfrenta desafios estruturais que comprometem a eficiência dos gastos públicos e a qualidade dos serviços prestados à população. A alta rotatividade dos Secretários Municipais de Saúde — estimada em cerca de 300 trocas por mês segundo o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) 2 — aliada à fragmentação dos processos administrativos e à ausência de instrumentos padronizados de avaliação da capacidade gestora, configura um cenário em que a descontinuidade administrativa se torna a regra, e não a exceção.
É nesse contexto que a UniverSaúde, instituição que há dez anos atua como GovTech no apoio à gestão municipal de saúde no Brasil, desenvolveu o Índice de Excelência Gestora do SUS (IEG-SUS) — um instrumento inédito de diagnóstico e mensuração da maturidade gerencial das Secretarias Municipais de Saúde. A pesquisa que origina este índice foi aplicada nacionalmente a gestores municipais de saúde em maio de 2026, e seus resultados, apresentados neste artigo, revelam um retrato sem precedentes das fortalezas e fragilidades da governança do SUS na esfera local.
Metodologia e Estrutura do Instrumento
O IEG-SUS é composto por 20 perguntas organizadas em cinco eixos temáticos que abrangem as dimensões fundamentais da gestão municipal de saúde. Das 20 perguntas, 18 são contabilizadas para fins de pontuação (as perguntas 15 e 16, de natureza aberta, são utilizadas para análise qualitativa). A pontuação máxima por respondente é de 24 pontos, distribuídos conforme a seguinte lógica: 16 perguntas objetivas (sim/não) valem 1 ponto cada; a pergunta 5 (escala de concordância invertida) vale até 4 pontos; e a pergunta 18 (avaliação qualitativa) vale até 4 pontos.
Eixo Temático | Perguntas | Foco de Avaliação |
Governança e Estrutura | Q1 a Q4 | Identidade organizacional, organograma, equipe gestora, reuniões de gestão |
Gestão por Indicadores | Q5 a Q7 | Cultura de "apagação de incêndios", sala de situação, planificação por indicadores |
Gestão Financeira e Suprimentos | Q8 a Q11 | Centros de custos, insumos, almoxarifado, avaliação via SIOPS |
Planejamento e Compliance | Q12 a Q14 | Agenda i-Saúde/IEGM, Plano Municipal de Saúde, prestações de contas |
Pessoas e Participação Social | Q17 a Q20 | Clima relacional, confiança, manifestações dos cidadãos, Conselho Municipal |
O instrumento foi aplicado por meio de formulário eletrônico (Google Forms) e os dados foram coletados de múltiplas fontes municipais, consolidados em um dashboard interativo de acesso público que permite a visualização comparativa entre municípios, estados e regiões.
Perfil Global dos Respondentes
A pesquisa alcançou 224 gestores municipais de saúde distribuídos em mais de 70 municípios de 16 estados brasileiros, abrangendo todas as cinco macro-regiões do país (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul). Esse alcance geográfico confere ao estudo uma representatividade significativa do cenário nacional da gestão municipal do SUS.
Característica | Dados |
Total de respondentes | 224 gestores |
Municípios representados | 142 |
Estados representados | 16 UFs (AC, AL, AP, BA, CE, ES, GO, MA, MG, MT, PA, PE, PI, PR, RN, RO, RR, RS, SC, SE, SP) |
Macro-regiões | Todas as 5 regiões brasileiras |
Período de coleta | Maio de 2026 |
Quanto ao perfil funcional, os respondentes são predominantemente Secretários e Secretárias Municipais de Saúde, seguidos por coordenadores, diretores e outros membros de equipes gestoras. As profissões de base mais frequentes incluem enfermeiros, sanitaristas, farmacêuticos, administradores e cirurgiões-dentistas — refletindo a multidisciplinaridade que caracteriza a gestão do SUS. O tempo de experiência no cargo varia de poucos meses a mais de 20 anos, com concentração significativa entre 1 e 5 anos de atuação, o que corrobora os dados sobre a alta rotatividade dos gestores municipais de saúde no país.
Principais Resultados
Resultado Consolidado Global
O resultado consolidado da pesquisa revela que, no conjunto dos 224 respondentes, a pontuação global de conformidade com as boas práticas de governança alcançou 57,6% de respostas positivas ("Sim"), contra 20,7% de respostas negativas ("Não") e 8,9% de respostas "Não sei responder". Esse resultado indica que, embora a maioria dos gestores reconheça a importância e declare a adoção de práticas de governança, ainda há uma parcela expressiva de municípios que não implementa processos fundamentais para a excelência gestora.
Indicador | Resultado Global |
% Sim (conformidade) | 57,6% |
% Não (não conformidade) | 20,7% |
% Não sei responder | 8,9% |
Pontuação total | 3.097 / 5.376 pts |
Desempenho por Eixo Temático
A análise por eixo temático revela diferenças significativas na maturidade gestora entre as dimensões avaliadas, permitindo identificar com precisão onde residem as maiores fortalezas e as lacunas mais críticas da gestão municipal do SUS.
Eixo Temático | Desempenho (%) | Classificação |
Planejamento e Compliance | 65,5% | Melhor desempenho |
Governança e Estrutura | 65,0% | Bom |
Pessoas e Participação Social | 64,8% | Bom |
Gestão por Indicadores | 50,4% | Regular |
Gestão Financeira e Suprimentos | 42,6% | Pior desempenho |
Os resultados demonstram que os eixos de Planejamento e Compliance (65,5%), Governança e Estrutura (65,0%) e Pessoas e Participação Social (64,8%) apresentam desempenho relativamente homogêneo e acima da média, indicando que a maioria dos municípios possui estruturas mínimas de planejamento, equipes gestoras constituídas e algum nível de participação social. Em contrapartida, os eixos de Gestão por Indicadores (50,4%) e, especialmente, Gestão Financeira e Suprimentos (42,6%) revelam fragilidades críticas que demandam atenção prioritária.
Destaques por Pergunta
A análise individualizada das perguntas permite identificar as práticas mais consolidadas e aquelas que representam os maiores desafios para a gestão municipal:
Práticas mais consolidadas (maior % Sim):
Pergunta | Tema | % Sim |
Q3 — Equipe Gestora definida | Governança e Estrutura | 90,2% |
Q13 — Plano Municipal de Saúde | Planejamento e Compliance | 85,3% |
Q20 — Conselho Municipal ativo | Pessoas e Participação Social | 76,3% |
Q14 — Prestações de Contas | Planejamento e Compliance | 66,5% |
Práticas com maior déficit (menor % Sim):
Pergunta | Tema | % Sim |
Q8 — Centros de custos conhecidos | Gestão Financeira e Suprimentos | 29,0% |
Q10 — Regimento do Almoxarifado | Gestão Financeira e Suprimentos | 35,7% |
Q17 — Clima relacional monitorado | Pessoas e Participação Social | 39,7% |
Q12 — Agenda i-Saúde / IEGM | Planejamento e Compliance | 44,6% |
Q6 — Indicadores e Sala de Situação | Gestão por Indicadores | 46,4% |
Perguntas Especiais
A pergunta 5 (escala de concordância sobre a cultura de "apagação de incêndios") obteve um score de 49,7%, revelando que aproximadamente metade dos gestores reconhece que suas secretarias operam predominantemente de forma reativa, sem planejamento estruturado — um indicador preocupante da maturidade gerencial.
A pergunta 18 (avaliação da relação de confiança entre trabalhadores e gestores) alcançou 71,9% do score máximo, sugerindo que, na percepção dos gestores, a relação com as equipes da linha de frente é predominantemente positiva, embora haja espaço significativo para aprimoramento.
Análise e Contribuições
O Retrato da Governança Municipal do SUS
Os resultados do IEG-SUS revelam um cenário de governança parcialmente estruturada, porém financeiramente vulnerável. A grande maioria dos municípios possui equipes gestoras formalizadas (90,2%), atua em conformidade com o Plano Municipal de Saúde (85,3%) e mantém Conselhos Municipais ativos (76,3%). Entretanto, quando se trata de instrumentos de gestão financeira — como o conhecimento dos centros de custos (29,0%), o controle de suprimentos via regimento interno (35,7%) e o uso do SIOPS como ferramenta de avaliação orçamentária (55,8%) — os números caem drasticamente.
Essa assimetria entre a estruturação formal e a capacidade efetiva de gestão financeira é particularmente grave em um contexto de subfinanciamento crônico do SUS. Municípios que não conhecem seus próprios centros de custos dificilmente conseguem identificar desperdícios, racionalizar gastos ou fundamentar pleitos por novos recursos junto aos governos estaduais e federal.
A Lacuna dos Indicadores de Desempenho
O eixo de Gestão por Indicadores (50,4%) evidencia que metade dos municípios brasileiros ainda não utiliza indicadores de desempenho de forma sistemática para orientar suas decisões. Apenas 46,4% dos gestores declararam possuir uma "Sala de Situação" com indicadores definidos, e somente 57,1% afirmaram planificar ações a partir da análise desses indicadores. Essa lacuna é particularmente relevante porque a gestão baseada em evidências é pré-requisito para a eficiência operacional e para a prestação de contas à sociedade.
O Papel Estratégico da UniverSaúde
A realização desta pesquisa nacional pela UniverSaúde representa uma contribuição inédita ao campo da gestão pública de saúde no Brasil. Ao criar e aplicar o IEG-SUS, a instituição endereça nacionalmente uma agenda que os gestores municipais mais necessitam: o fortalecimento da governança por meio de diagnóstico, método e apoio contínuo.
A UniverSaúde compreende que a estabilidade e o sucesso do gestor municipal de saúde são condições essenciais para a construção de um SUS mais eficiente e sustentável. Seu método de "Excelência Gestora" — aliada às tecnologias que transformam dados em ferramenta estratégica de gestão — foi desenhado precisamente para atacar as fragilidades reveladas por esta pesquisa: a falta de indicadores, a precariedade da gestão financeira e a ausência de instrumentos que comprovem o valor do trabalho do gestor perante os prefeitos e a sociedade.
"Um Secretário Municipal de Saúde potente significa um SUS potente! Precisamos cuidar continuamente da identidade e da reputação deste Gestor." — Erico Vasconcelos, CEO e Fundador da UniverSaúde 2
Considerações Finais
O Índice de Excelência Gestora do SUS (IEG-SUS) inaugura um novo paradigma na avaliação da capacidade gerencial das Secretarias Municipais de Saúde no Brasil. Com 224 gestores respondentes de 16 estados e todas as regiões do país, a pesquisa oferece um retrato robusto e inédito das fortalezas e fragilidades da governança municipal do SUS.
Os resultados apontam para três conclusões fundamentais:
1-É PRECISO FORTALECER A GOVERNANÇA DOS PROJETOS DO SUS: a estrutura formal de governança existe na maioria dos municípios, mas carece de instrumentos efetivos de gestão financeira e de indicadores de desempenho,
2-É PRECISO CUIDAR DOS GESTORES NA EXECUÇÃO DE SUAS AGENDAS: a cultura de "apagação de incêndios" ainda predomina em metade das secretarias, comprometendo a capacidade de planejamento de médio e longo prazo,
3-A EXCELÊNCIA GESTORA É VIÁVEL E FACTÍVEL: há uma oportunidade concreta de transformação: municípios que adotam práticas estruturadas de gestão demonstram resultados significativamente superiores, indicando que o caminho para a excelência gestora é viável e replicável.
A UniverSaúde, ao conceber, aplicar e executar o IEG-SUS, reafirma seu compromisso com o fortalecimento da governança municipal do SUS e com a construção de uma agenda nacional de apoio aos gestores que mais precisam de um "norte" e de uma retaguarda técnica e metodológica. Em um país onde a rotatividade dos Secretários de Saúde é um dos maiores obstáculos à continuidade administrativa, oferecer instrumentos que comprovem o valor do trabalho do gestor e que orientem suas ações com base em evidências não é apenas uma contribuição técnica — é um ato de fortalecimento democrático do nosso Sistema Único de Saúde (SUS).
Referências [1] IBGE — Brasil: Cidades e Estados (2025),
[2] UniverSaúde — Por quê o Secretário Municipal de Saúde cai? O desafio da alta rotatividade dos Gestores do SUS no Brasil (2026),
[3] CNM — Desafios para Gestão Municipal do SUS (2024),
[4] IRB — Índice de Efetividade da Gestão Municipal (IEGM Brasil),
[5] Gestores municipais de saúde: perfil e perspectivas para o Ciclo de Gestão 2017-2020 — Saúde em Debate (2019),
[6] Capacidade de governo em Secretarias Municipais de Saúde — Saúde em Debate (2019).
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[A] Erico Vasconcelos é cirurgião-dentista, estomatologista, especialista em Terapia Comunitária, em liderança e desenvolvimento gerencial de organizações de saúde e com MBA em gestão de pessoas. Há 27 anos atua na gestão da Atenção Básica, do SUS, na Segurança e Qualidade e na Gestão Estratégica de Pessoas de organizações de saúde. Foi gestor de diversas organizações privadas e municípios. Atuou no Ministério da Saúde entre 2013 e 2016 no Departamento de Atenção Básica elaborando políticas e desenvolvendo ações de apoio e educação. Desde 2005 atua na formação em serviço de gestores e profissionais de saúde pelo Brasil afora. Trabalhou como Tutor e Coordenador de Cursos na EaD da ENSP, UnASUS-UNIFESP e na UFF. Foi Professor de Saúde Coletiva da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e em outros cursos de várias Universidades. Fundou a UniverSaúde em 2016, uma empresa que ajuda gestores a reduzirem custos e a captarem novos recursos com resultados rápidos, fortalecendo a governança e promovendo a sustentabilidade financeira e organizacional da Saúde. Atualmente trabalha como Tutor do HCor em iniciativas do PROADI-SUS/Ministério da Saúde.




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